O papel do Blockchain em um ecossistema de identificação em franca evolução

||O papel do Blockchain em um ecossistema de identificação em franca evolução
2018-06-19T19:58:13+00:0024/05/2018|Tags: , |

Autor: Chuck Wilson, gerente de proposta de conteúdos – Soluções de Identificação

Na economia globalizada, em que muita gente viaja, trabalha e se entretém sem se limitar geograficamente, ter um sistema de identificação digital presente em larga escala virou um objetivo universal. Por isso, muitas empresas estão se concentrando na tecnologia de Blockchain como um meio viável para que partes independentes confiem na mesma fonte compartilhada, segura e auditável de informações.

A tecnologia de Blockchain é capaz de garantir que o estado atual dos dados de uma entidade seja sua representação válida distribuída por uma rede de aplicações, junto com um registro imutável da origem dos dados. Acredita-se que o uso do Blockchain possa impedir o uso de endereços de e-mail, códigos de segurança ou números de telefone falsos, protegendo todas as partes da comunicação contra roubo de identidade e garantindo que cada pessoa seja quem ela realmente é.

Os usuários querem ter mais controle sobre suas identidades pessoais. Eles têm a necessidade de proteger seus dados pessoais porque precisam apresentá-los para usar os serviços de uma determinada empresa (para comprar um carro, contratar um seguro, se relacionar com administradoras de cartões de créditos, etc.). Em geral, cada fornecimento de dados pessoais coloca os usuários em risco de terem suas identidades roubadas. Portanto, a necessidade de haver soluções que protejam as identidades e viabilizem o controle de dados pessoais é imensa.

A identidade digital está se transformando em uma necessidade básica, e o Blockchain é uma tecnologia com potencial para revolucionar a maneira como transmitimos e recebemos dados.

O surgimento do Blockchain

As transações de pagamento eletrônico em toda a Internet dependem de instituições financeiras como partes externas de confiança para mediar contestações. O custo da mediação e de outros pontos de apoio pode encarecer esse processo, e nenhuma transação é totalmente irreversível. No mundo dos pagamentos eletrônicos, casos de fraude são inevitáveis. Por isso, os intermediários se esforçam tanto para minimizá-los, mesmo havendo um nível aceitável de fraudes que é o custo do negócio – um custo que, no fim das contas, é arcado pelo consumidor.

Em 2008, Satoshi Nakamoto (nome fictício) propôs um sistema de pagamento eletrônico baseado em prova criptográfica, em vez de usar uma parte externa de confiança, permitindo que estranhos fizessem negócios diretamente entre si. Por quê? Porque um intermediário pode gerar mais custos e ser um ponto único de falha. Em outras palavras: se o sistema do intermediário estiver fora do ar, mesmo que seja devido a uma manutenção programada, toda a rede para de funcionar. Se a segurança do intermediário estiver comprometida, toda a rede está em risco. Então, para evitar o surgimento de um ponto único de falha ou de invasão, Nakamoto adotou uma topologia de rede descentralizada.

Ele começou com o conceito de Distributed Ledger Technology (DLT), com sua rede distribuída ponto a ponto e as assinaturas digitais (esse último elemento é uma prova robusta da propriedade dos dados), e acrescentou um timestamp (registro de data e hora) para gerar uma prova computacional da ordem cronológica da transação. Esse timestamp da DLT tinha como objetivo combater o “problema da duplicidade da transação” que poderia acontecer de propósito ou por acidente. Para registrar a data e a hora, as transações são fragmentadas e misturadas a uma cadeia contínua da prova de trabalho, formando um registro que não pode ser alterado sem que a prova de trabalho seja refeita. Além disso, a cadeia mais longa funciona como uma prova da sequência de eventos e prova também que veio do maior pool da força da unidade de processamento central (CPU). Quanto mais nós a distribuição do Blockchain tiver, mais forte e mais confiável ele será.

A primeira implementação da tecnologia de Blockchain foi o Bitcoin, uma criptomoeda. A onipresença virtual do Bitcoin funciona sem um validador central, mas com transparência. E, se os nós e as mineradoras (ou seja, quem usa os nós) estiverem suficientemente descentralizados e devidamente incentivados, então, a transparência leva a um alto nível de resiliência, pois fica inviável derrubar a rede ou fazer alterações não autorizadas no Blockchain. Apesar da transparência das transações, a propriedade do Bitcoin é pseudoanônima. Essa característica deu origem aos boatos de que o Bitcoin teria um quê de maldade e seria usado principalmente por traficantes de drogas.

O Blockchain é uma tecnologia inovadora e empolgante. Embora seja interessante, a aplicação do Bitcoin talvez não seja a inovação de verdade. Certamente, é a máquina de confiança por trás de tudo que pode oferecer a promessa real de mudança positiva no modo como as empresas e os consumidores atuam em conjunto.

Vantagens e desvantagens do Blockchain

Embora tenha sido criado para dar apoio a uma criptomoeda, o Blockchain é efetivamente um subconjunto da DLT e seus dados podem ficar armazenados nos metadados das transações. Um banco de dados distribuído baseado em Blockchain agora é conhecido como Blockchain 2.0 e pode incluir novas tecnologias, como propriedades inteligentes e contratos inteligentes.

O Blockchain tem diversas vantagens em comparação às soluções tradicionais, podendo ser usado para resolver diversos problemas. Embora não seja o remédio para todos os males, ele oferece benefícios para vários casos. O Blockchain oferece principalmente seis grandes vantagens em comparação aos sistemas distribuídos tradicionais: (1) gestão descentralizada, (2) imutabilidade da trilha de auditoria, (3) origem dos dados, (4) estabilidade/disponibilidade, (5) segurança/privacidade e (6) lógica computacional.

As desvantagens do Blockchain também precisam ser levadas em conta. São elas:

Falta de confidencialidade. Como todo mundo pode ver todas as transações, a transparência é excelente, mas o nível de sigilo é baixo. É claro que é possível deixar os usuários parcialmente anônimos usando valores hash como endereços, mas ainda assim é possível identificá-los por meio de uma inspeção dos dados da transação disponíveis publicamente no Blockchain.

Lentidão e pouca escalabilidade. O tempo da transação de Blockchain pode ser atenuado, dependendo do protocolo usado, mas limitação de velocidade pode retardar a escalabilidade das aplicações do Blockchain. Por exemplo, Visa/MasterCard processam cerca de 4.000 transações por segundo, enquanto o Bitcoin chega a sete transações por segundo.

Integração restrita. Não é comum que a tecnologia DLT se integre de forma simples e direta às plataformas e sistemas existentes. Os bancos de dados são commodities valiosas, e distribuí-los por meio de uma nova tecnologia não tão simples.

Problemas com o governo. Muitos países se esquivam do Blockchain e de suas criptomoedas devido à falta de normas para os pagamentos globais ponto a ponto (P2P) baseados na tecnologia DLT. Por exemplo, o que fazer quando uma transação é enviada para um destinatário errado?

Ecossistema de identificação

A identificação é essencial para o futuro do mundo online. Ao longo dos últimos vinte anos, as experiências virtuais vêm tendo um importante papel em nosso cotidiano. E é inegável que, nos últimos dez anos, nossos dispositivos móveis conquistaram um lugar cativo em nossas vidas – talvez até o controle delas.

A maioria das tecnologias funciona em um ecossistema em evolução. Isso se aplica tanto à identidade digital quanto ao Blockchain. O ecossistema cria forças que estimulam o desenvolvimento e a inovação. No ecossistema das soluções de identificação, temos instituições setoriais verticais, fornecedores de tecnologia e órgão reguladores. É interessante notar que os primeiros setores a adotar o Blockchain foram os serviços financeiros, empresas de serviços públicos, a área de saúde e as empresas de telecomunicações, ou seja, mercados com alto grau de regulamentação. Os fornecedores de tecnologia estão trabalhando pesado para serem aceitos por eles, e a aceitação da tecnologia de Blockchain provavelmente vai exigir uma comprovação irrefutável de sua utilidade.

Para preparar o Blockchain para ser um grande componente na gestão de identidades e para disseminar a adoção, será necessário haver uma intensa colaboração entre os setores público e privado. A falta de regulamentação foi o ponto do Blockchain que conquistou os pioneiros das criptomoedas. Mas para que haja aceitação das massas e viabilidade, agora é essencial que haja processos e regulamentações estabelecidas para a proteção de todos. Vamos precisar de normas exequíveis e proteções básicas.

Alguns podem perguntar se a gestão de identidades vai, em breve, incluir a tecnologia de Blockchain? Talvez, essa não seja a pergunta certa a se fazer. Vai depender dos casos de uso em que o Blockchain é especialmente qualificado para fazer a diferença. Como qualquer outra tecnologia, ele vai ser muito útil para diversos serviços, mas nem tanto para outros.

Parece que o Blockchain não funciona tão bem para certificações de carteiras de identidade/passaportes. Uma alternativa seria ter uma identidade digital única, emitida pelo governo, situação que também tem seus prós e contras. Por exemplo, os cidadãos da Estônia, do Cazaquistão e da Índia têm uma identidade digital única, na forma de um cartão com chip que pode ser usada para registrar bens, declarar impostos, votar ou fazer saques em caixas eletrônicos. As identidades digitais são gerenciadas pelas autoridades centrais do governo. Portanto, elas têm um ponto único de falha e um ponto único que pode ser alvo de hackers. Resumindo: essa solução apresenta riscos. E o que acontece se esse cartão com chip, com todos os dados pessoais de alguém, for perdido ou roubado? Como se prova que uma identidade digital única pertence a alguém quando não há mais documentos originais convencionais?

A identidade digital está se transformando em uma necessidade básica em um ecossistema em constante evolução, e o Blockchain é uma das tecnologias com potencial para revolucionar a maneira como transmitimos e recebemos dados.

A adoção do Blockchain

A questão mais complexa do Blockchain está em seu aspecto social: como fazer as pessoas desapegarem da ideia tradicional dos documentos físicos (carteiras de identidade, passaportes, etc.) e das informações decoradas (senhas, PINs, etc.) para transportá-las ao mundo digital?

Enquanto uns dizem que o Blockchain é uma tecnologia “disruptiva”, outros veem o Blockchain e sua antecessora, a DLT, como tecnologias pioneiras. Estamos diante do potencial de criar novos sistemas socioeconômicos. No entanto, pode levar dez ou vinte anos para que ocorra adoção gradual e, ao mesmo tempo, estável dessa tecnologia. A curva de adoção de tecnologias acontece em relação às necessidades do mercado, mas é interessante perceber que as mudanças tecnológicas mais penetrantes tentem a levar bastante tempo para chegar às grandes massas.

Embora talvez demore décadas para essa transformação de fato acontecer, as oportunidades de uso do Blockchain já estão no mercado. As empresas devem garantir que seus colaboradores aprendam o que é o Blockchain para possivelmente desenvolverem aplicações específicas e investirem sistematicamente na infraestrutura dessa tecnologia. Em suma, quem estiver lendo este artigo precisa saber que as barreiras para adotar o Blockchain ainda assustam, e que a grande complexidade desse processo de adoção pode desanimar. O ideal é começar pequeno, mas evoluir com firmeza.

Como acontece com todas as novas tecnologias, veremos inúmeros casos de sucesso e de fracasso conforme as aplicações do Blockchain forem postas em prática. Sem dúvidas, essa tecnologia vai assumir alguns papéis no setor de identificação no prazo de cinco a dez anos. Contudo, o sucesso dela na área vai depender muito da habilidade do setor para solucionar suas questões regulatórias.

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