2019-09-06T17:08:44+01:0006/09/2019|Tags: , , |

Por: Kevin Freiberger, Diretor de Programas de Identidade na Valid

O Departamento de Educação do Estado de Nova York bloqueou a testagem de softwares de reconhecimento facial nas escolas semanas antes do previsto para começar. Isso aconteceu mesmo com as garantias do Lockport City School District de que iriam inserir no sistema somente as informações de ameaças em potencial (como alunos suspensos ou expulsos e criminosos sexuais).

Também contribuíram para a decisão os protestos de pais e da New York Civil Liberties Union (NYCLU). As preocupações têm a ver com os protocolos e proteções da tecnologia e se ela estaria pronta para um setor público predominantemente constituído de menores de idade. A NYCLU chamou o uso do reconhecimento facial nas escolas de invasão de privacidade e disse que ele compromete os direitos de alunos, professores, familiares e da comunidade em geral.

Mas o Lockport City School District não está pronto para recuar ainda. As discussões a respeito do assunto ainda estão acontecendo mesmo depois que a notícia da decisão veio a público.

Não será uma tarefa fácil. No entanto, convencer o público e os pais do potencial que sabemos que a tecnologia tem para o bem não é impossível. Na verdade, com uma retórica mais informada e conversas abertas, os líderes desse setor podem refutar estereótipos negativos e abrir caminho para futuras soluções que possam aumentar a segurança de nossas crianças. Antes de mais nada, é importante garantir aos pais que os dados de seus filhos estão seguros.

Qual é o risco em se permitir que as escolas capturem fotos das crianças com o propósito de aumentar a segurança?

Os pais sempre se preocupam com a proteção dos dados de seus filhos. E, com aplicativos como TikTok, Snapchat e Facebook, o número de entidades de tecnologia que já possuem fotos de crianças continua crescendo.

Este ano, o FaceApp fez sucesso e ensinou uma lição aos usuários que pode afetar como eles verão a tecnologia biométrica no futuro. A política de privacidade do FaceApp (que os usuários não costumam ler) informa que ele coleta e armazena fotos dos usuários. E, ao usar o aplicativo, os usuários aceitam dar ao FaceApp uma permissão “perpétua, irrevogável, não-exclusiva, livre de direitos e mundial” para qualquer uso e propósito que o app pretender. Com uma manchete como essa nas notícias, não é de se espantar que os pais tenham ressalvas a aceitar a tecnologia de reconhecimento facial e o compartilhamento de dados pessoais.

Sem o treinamento e a educação, a maior parte das pessoas não sabe quando está colocando seus dados em risco. E qual é o resultado? Elas acabam rejeitando qualquer coisa que tenha jeito de “big brother”. Quem quiser empregar a tecnologia de reconhecimento facial precisa deixar claro que o software não explora os dados pessoais dos alunos.

Os sistemas bem arquitetados segmentam os dados biométricos das informações pessoalmente identificáveis (PII na sigla em inglês), como nomes, endereços e fotos de origem. Isso significa que a PII é armazenada separada dos dados biométricos. Sem os dados pessoais e fotos de origem que identifiquem os conjuntos de dados, os dados biométricos não têm muito valor para os criminosos.

E as escolas e outras entidades públicas dos EUA não estão usando esses sistemas para vigilância em massa. As políticas de adesão são muito importantes e precisam afirmar com clareza onde as fotos são armazenadas e quem tem acesso a elas para apaziguar todas as preocupações a respeito do compartilhamento das fotos com terceiros ou seu uso por entidades governamentais não aprovadas.

A tecnologia de reconhecimento facial oferece bem mais do que a segurança

Além de seu papel como uma solução de segurança, o reconhecimento facial também tem o potencial de agregar valor real a aspectos antiquados do sistema educacional. A tecnologia pode verificar presença, agir como um sistema de ponto de venda no refeitório e oferecer mais segurança em atividades extracurriculares como bailes e jogos. Explicar que esse processo pode melhorar de forma significativa a qualidade da experiência dos alunos e modernizar a rotina educativa (ao verificar presença e notificar os pais de quando as crianças chegarem na escola) é uma ótima forma de deixar a comunidade mais familiarizada com o uso da tecnologia para além da área de segurança.

Nem todos os pais têm o privilégio de trabalhar na indústria biométrica e conhecer bem como funcionam esses sistemas. Por isso é dever de quem trabalha no setor educar o público e oferecer meios para que todos compreendam o valor que essa tecnologia oferece, como proteger nossas crianças na sala de aula. Com explicações cuidadosas e articuladas, podemos nos concentrar em oferecer mais soluções abrangentes para manter nossas escolas e comunidades seguras e protegidas.

 

Sobre o autor

Kevin Freiberger é Diretor de Programas de Identidade e Gestão de Produto na Valid, onde lidera um grupo que oferece soluções de gestão de identidade e biometria em larga escala para empresas públicas e privadas.