Por: David Lytle, Diretor de Desenvolvimento de Clientes de Data Solutions e Rick Harbour, CEO da VSGI

David Lytle e Rick Harbour participaram da Homeland Security Week entre os dias 22 e 24 de outubro de 2018 em Washington, D.C., nos EUA, que reuniu grandes líderes do governo, do setor de gerenciamento de dados e do ramo acadêmico para discutir os desafios atuais e as exigências futuras para numerosas agências governamentais que são direta ou indiretamente responsáveis pela segurança nos EUA.

A VSGI é uma empresa de pequeno porte de veterano ferido em serviço (SDVOSB, na sigla em inglês) e uma organização com foco no suporte às agências do governo federal dos EUA. A Valid e a VSGI formaram uma aliança estratégica para oferecer às agências governamentais o melhor do gerenciamento de dados, qualidade de dados, serviços de pré-processamento de arquivos e acesso aos melhores dados demográficos dos consumidores, dados empresariais, de telefone e e-mail.

A dupla participou de muitas apresentações, palestras e mesas redondas ao longo do evento e trouxe três conclusões principais sobre a situação atual do gerenciamento de dados no setor governamental.

  1. Uma grande tendência que vemos é essa parceria entre setor público e privado com o objetivo de encurtar o ciclo de compra do governo.
  2. O Departamento de Segurança dos EUA é um setor que movimenta US$ 90 bilhões com um grande potencial de crescimento.
  3. Enriquecimento de dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina tornam os analistas do governo mais eficientes, e empresas como a Valid estão bem posicionadas para atender à demanda crescente por esses serviços.

Como estamos vivendo na era dos dados, tanto governos quanto empresas privadas precisam aprender a lidar com o grande influxo deles todos os dias. O sucesso do Departamento de Segurança dos EUA depende da capacidade de capturar, analisar e, principalmente, transformar dados em informações e inteligência para melhorar a segurança nacional.

Durante a conferência, Timothy Groh, do Centro de Triagem Terrorista do FBI falou das ameaças que os Estados Unidos enfrentam e dos esforços das agências do FBI para analisar e se defender dessas ameaças. Ele falou do número de investigações de terrorismo doméstico atual incluindo a previsão de tentativas de países estrangeiros e outras instâncias de influenciar as eleições de meio mandato de 2018 nos EUA.

Os sistemas de segurança física que são compostos de vigilância por vídeo e controle de acesso e alarmes, quando integrados, podem oferecer excelentes soluções de segurança.  O Departamento de Segurança dos EUA também já entrou na era da tecnologia biométrica e suas aplicações estão se espalhando rapidamente pelo governo federal, incluindo na Administração de Segurança dos Transportes (TSA, na sigla em inglês).

Patricia Cogswell, Deputy Administrator da TSA, discutiu políticas que concernem a uma série de problemas nessa área. Entre eles estavam o tráfico de drogas pela fronteira sul dos EUA e outras portas de entrada. Ela também falou que a TSA está trabalhando com vários aeroportos e empresas aéreas para instalar terminais biométricos que usarão reconhecimento facial para automatizar processos na experiência de viagem, desde o autoatendimento para despachar malas até a verificação de identidade na hora de embarcar.

Cogswell também falou que, ao testar tecnologias biométricas em um ambiente de aeroporto, a TSA espera aumentar a eficiência da segurança e se antecipar a qualquer ameaça. A TSA continuará a aproveitar as parcerias para entregar funções ainda melhores para pontos de checagem de segurança pelo país.

Conforme a tecnologia avança, a TSA espera reduzir a necessidade de formas físicas de identificação através do desenvolvimento de sistemas que usem a biometria facial e impressões digitais para comprovar a identidade de um passageiro. Antigamente, vídeos de segurança costumavam ser apagados (para regravação em cima) e restrições orçamentárias impediam que os dados fossem armazenados por muito tempo. De acordo com Cogswell, a tecnologia de hoje e a nuvem facilitam o armazenamento de dados e permitem à TSA manter quantidades enormes de dados por períodos mais longos e, ao mesmo tempo, ser mais proativa e preditiva em sua natureza.

Diversas apresentações relacionadas à segurança virtual defenderam que as empresas privadas e agências governamentais deveriam focar seus esforços em objetivos comuns.  Durante a conferência, muito se falou na questão de que os fornecedores de supply chain arcam com os custos impostos pelos dispositivos de segurança. No entanto, o famoso David Glawe, Subsecretário de Inteligência e Análise do Departamento de Segurança dos EUA também reconheceu que “pode ser um desafio atribuir responsabilidade no contexto de sistemas compostos por dispositivos e softwares de diversos fornecedores e ativos.” O DHS modernizou seu sistema de gerenciamento de identidade biométrica para dar suporte às fronteiras e à polícia para um modelo centrado na pessoa em maio de 2018. Diversos funcionários do DHS, incluindo militares, militares reformados, profissionais de inteligência, gerenciamento de emergências, segurança pública e líderes da segurança nacional têm experiências incomparáveis na hora de proteger os EUA.

Nos anos anteriores, o gerenciamento de identidade para governos e empresas privadas envolvia credenciais e dados biográficos que categorizavam nome, endereço, data e local de nascimento. O mundo cada vez mais globalizado e digital de hoje demanda que a biometria, juntamente com os dados biográficos, sejam o gerenciamento de identidade padrão. Em termos práticos, é reduzir todas as formas possíveis pelas quais uma pessoa pode ser identificada a um conjunto simples de características que distingam com o máximo de precisão possível um indivíduo como único. Existem uma série de questões e ameaças, incluindo a ISIS e a al Qaeda, segurança digital, compartilhamento de informações entre agências federais e grupos extremistas violentos dentro da fronteira dos EUA. A questão é como obter sucesso nessa tarefa e se o governo e as empresas privadas conseguem trabalhar juntos em direção ao objetivo de melhorar a identificação biométrica.

Houve uma preocupação real com relação ao crescimento de atos domésticos e estrangeiros de terrorismo e da instabilidade global. Alguns palestrantes falaram do fato de que os EUA deveriam concentrar esforços e definir prioridades para aumentar e garantir a segurança do país contra as ameaças atuais e futuras. Foi colocado que a segurança digital precisa ser cuidada por uma aliança entre os setores privados, públicos e governamentais com o objetivo em comum de proteger o país. Estima-se hoje que a capacidade do setor privado para esse trabalho é 50x maior do que a do setor público. Para dar conta desses desafios, existem diversas possibilidades incluindo mecanismos de modelação que incentivariam as empresas de tecnologia a priorizarem a segurança na hora de desenvolver produtos ou serviços e analisar a aplicabilidade das leis existentes na hora de responsabilizar as empresas por falhas de segurança.

Ao longo dos três dias da conferência, as apresentações do keynote, as discussões dos painéis e várias mesas redondas mais intimistas discutiram as ameaças que o DHS enfrenta no dia a dia. Alguns exemplos disso são os ataques à infraestrutura das eleições, operações de fronteira, a prevenção de ataques digitais e preparação para emergências.

As informações recebidas antes e durante a conferência indicaram que algumas tecnologias emergentes, como análise de dados preditiva e comportamental, inteligência artificial e aprendizado de máquina, blockchain e tecnologias de controle de acesso lógico e físico são usadas em diversos casos para manter resiliência.

Além disso, a habilidade de se recuperar ou ajustar facilmente as operações de fronteira, prevenindo ataques digitais depende do uso de mais parcerias privadas ou públicas e a cooperação entre as agências estaduais, municipais e federais para que elas possam compartilhar facilmente informações para que os EUA continuem a obter sucesso na hora de proteger o país de atos de terrorismo doméstico e internacional. Vários palestrantes, incluindo Timothy Groh, do FBI, e Monte Hawkins da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA frisaram a importância de as agências compartilharem informações, coisa que nem sempre acontece.

No entanto, ao longo do ano, a equipe do DHS tem avançado nessa área, conduzindo centenas de reuniões de troca de informações de agências para estabelecer um site colaborativo aberto ao público que dê suporte a esse esforço governamental e ajude em outras iniciativas federais e na integridade de dados.

David Glawe, Subsecretário de Inteligência e Análise, disse que o DHS ainda tem muito a fazer para garantir uma implementação de sucesso e duradoura dessas melhorias tão importantes na segurança. “Somos encorajados pelo progresso, mas estamos sempre de olho nos inimigos e não nos afastamos de nossa missão de resguardar os sistemas de informação para o governo federal e, mais importante, para o povo norte-americano.”

Em resposta aos desafios de comunicação que enfrentamos durante os ataques de 11 de setembro de 2001 e o furacão Katrina, o Escritório de Comunicações para Emergências (OEC) auxilia e promove as comunicações entre quem atende emergências e oficiais do governo para manter o país seguro e resiliente. A OEC colabora com os setores público e privado para garantir que as comunicações para segurança nacional e preparação para emergências tenham acesso a telecomunicações prioritárias e serviços de restauração para se comunicar sob quaisquer circunstâncias.

As funções de RFID também foram um grande tópico de discussão já que a Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA analisam mais de 75 mil contêineres por dia que chegam por várias vias de entrada nos EUA. Com tecnologia RFID, blockchain e big data, esses recursos permitem que o governo faça rapidamente a triagem desses contêineres em busca de cargas invasivas.

Para concluir, por trás da funcionalidade de tempo real dos sistemas de segurança, existe um fluxo constante de dados vindos de câmeras de vigilância, controle de acesso, alarmes, implementação de melhorias críticas de segurança, identidade biométrica, inteligência artificial e aprendizado de máquina, que precisam ser analisados e transformados em métricas que ofereçam insights a respeito de crimes relacionados a terrorismo e operações de atividade criminosa suspeita.  A inteligência artificial está entre as novas ferramentas que ajudam o DHS/TSA a entender a enxurrada de dados e melhorar seu impacto para além da segurança da fronteira para toda a agência do DHS.

Com o fluxo constante de falhas na segurança digital que ficamos sabendo como consumidores, com hackers roubando dados, parece que não é possível comprar um simples hambúrguer sem acabar sabendo que informações confidenciais nossas foram vazadas.

O velho ditado que diz que você pode levar um cavalo até a água, mas não pode fazê-lo beber é verdade quando falamos de privacidade individual e digital. Aprendemos que o número de vazamento de dados nos EUA atingiu um pico em 2017 e está ainda maior em 2018 agora que nos aproximamos do fim do ano.

Os dados são um ativo valioso e o sucesso de uma empresa ou um governo costuma ter muito a ver com a sua capacidade de gerenciar dados.