2019-06-05T18:24:16+01:0005/06/2019|Tags: , , , |

Escrito por Alberto Hernandez – Diretor de Operações

A Apple está pronta para ficar ainda mais perto da sua carteira e tem um parceiro importante para ajudá-la a permanecer ali.

Unir forças com uma gigante das finanças como a Goldman Sachs faz parte do projeto da Apple de revolucionar uma indústria já estabelecida. Mas a parceria é boa para ambos os lados. A Goldman Sachs é nova no setor de bancos para o consumidor e precisa do poder de marca da Apple para criar a peça tecnológica que vai diferenciá-la no mercado. Por outro lado, a Apple precisa de uma empresa já estabelecida no ramo financeiro (a Goldman Sachs tem uma capitalização de mercado de mais de US$ 88 bilhões) para dar suporte à sua entrada no setor de pagamentos.

É claro que essa não é a primeira vez que duas corporações desse porte entram em um acordo desse tipo para revolucionar um setor. No ano passado, Amazon, JP Morgan Chase e Berkshire Hathaway anunciaram uma iniciativa sem fins lucrativos com o objetivo de revolucionar a saúde para 1,2 milhões de funcionários das três empresas, uma jogada que poderia mudar de forma radical a maneira como grandes entidades oferecem planos de saúde próprios.

É claro que as grandes empresas estão cada vez mais confortáveis em fazer esse tipo de parceria para oferecer soluções inovadoras em vez de entrar em territórios desconhecidos sozinhas. No caso da Apple com a Goldman Sachs, isso significa uma mudança colossal na forma como os consumidores fazem pagamentos, o que desafia o status-quo das corporações de serviços financeiros tradicionais.

Promessas da parceria 

A Apple está repensando a conta bancária da mesma forma que repensou o telefone. A empresa já oferece aos clientes a chance de pagar com seus produtos Apple. Um toque no iPhone já faz isso desde o Apple Pay lançado em 2014. No entanto, até agora, essas transações sempre estavam ligadas a um cartão de crédito ou débito tradicionais. Com a introdução do Apple Card, parece que a empresa está conseguindo o que desejou quando fez a parceria com uma gigante das finanças: o suporte para desenvolver recursos financeiros em nível de conta.

A empresa quase nunca decepciona na hora de inovar em cima de tecnologias que existem há muito tempo (basta olhar para o iPhone) e o consumidor vai ver o mesmo tipo de inovação com o Apple Card. Alguns dos pontos positivos ressaltados no site são a ausência de taxas (sejam anuais ou por pagamento atrasado), cash back acessível instantaneamente e monitoramento financeiro muito melhor, além de funções de orçamento.  Mas parte do que a Apple considera “repensar completamente o cartão de crédito” é que o cartão em si vive dentro do aplicativo Wallet e está disponível lá com aprovação instantânea. O cartão físico (de titânio gravado a laser) chega pelo correio mais tarde e existe para as ocasiões em que não se aceita o Apple Pay.

A segurança é outro fator importante. A Apple diz que seus sistemas de segurança Face and Touch ID estão entre os mais avançados do setor e a ausência de um número de cartão permanente é uma proteção a mais. Mas, com vazamentos recentes de dados ainda frescos na cabeça dos consumidores, a Apple também promete nunca compartilhar ou  vender os dados de consumidores para terceiros para fins de marketing ou publicidade. No entanto, a Goldman Sachs terá acesso a esses dados para poder operar o Apple Card.

Um ganho em reputação e uma oportunidade para o futuro 

É seguro dizer que a Goldman Sachs já teve algumas publicidades ruins e chamou a atenção de forma negativa.. No entanto, esta parceria poderia sinalizar o começo da reconquista da confiança dos consumidores. Se o Apple Card conseguir oferecer serviços financeiros melhores e mais flexíveis para um conjunto maior de consumidores, vai ser por conta dos grandes recursos da Goldman Sachs.

A parceria entre a Apple e a Goldman Sachs tem o potencial de mudar a forma como os consumidores pensam os pagamentos, mas o sucesso do Apple Card também legitimaria parcerias tecnológicas futuras. No passado, as empresas desenvolviam tudo internamente, incluindo a tecnologia. No entanto, o sucesso dessa parceria especificamente poderia inspirar mais empresas do setor a buscar parceiros tecnológicos para ajudá-las a inovar.

O Apple Card é principalmente um cartão de crédito digital. E, embora ele ofereça taxas com juros baixos, vantagens de cash back e mais segurança, o que o torna um concorrente saudável para os outros cartões no mercado, o que traz o potencial disruptivo mesmo é a força da marca. O nome da Apple certamente vai incentivar os clientes a, pelo menos, experimentarem o recurso e, se a tecnologia seguir os passos das outras inovações da Apple, ele pode se tornar a opção de preferência.