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Zero Trust: como funciona a proteção além do perímetro

Tempo de Leitura:
Autor:
Redação Valid
Data de Publicação:

‍A computação em nuvem, o trabalho remoto e os ambientes distribuídos tornaram menos clara a ideia de um perímetro único de segurança. Aplicações, dados, dispositivos e usuários podem estar em diferentes locais e ainda assim precisar acessar recursos corporativos.

Nesse cenário, a Zero Trust Architecture (ZTA) propõe uma mudança de abordagem baseada no princípio de “nunca confiar, sempre verificar”. Em vez de considerar confiável tudo o que está dentro de uma rede protegida, cada solicitação de acesso deve ser avaliada conforme as políticas e o contexto.

A adoção de Zero Trust vem avançando, mas a maturidade das organizações ainda é um desafio. O Security Outcomes for Zero Trust indica que mais de 86% das organizações participantes já iniciaram essa transição, enquanto apenas 2% declararam ter atingido maturidade nos pilares de Zero Trust.

Esse cenário reforça a importância de modelos e referenciais estruturados para orientar a implementação da arquitetura. Entre eles, o NIST estruturou uma abordagem que se tornou referência internacional para organizações que buscam aplicar a Zero Trust em diferentes ambientes tecnológicos.

O que é a arquitetura Zero Trust?

Zero Trust é uma abordagem de cibersegurança que elimina a confiança implícita em usuários, dispositivos ou recursos, independentemente de sua localização ou vínculo organizacional prévio. Segundo o NIST SP 800-207, o modelo desloca o foco da proteção de perímetros de rede para a proteção de usuários, ativos e recursos. 

A autenticação e a autorização são realizadas antes do estabelecimento da sessão com o recurso corporativo, considerando também características do acesso e políticas definidas pela organização. Isso não significa bloquear todos os acessos ou exigir autenticação indiscriminadamente. 

A proposta é substituir a confiança baseada na localização por uma abordagem na qual cada acesso é avaliado e autorizado conforme as políticas de segurança.

Por que o modelo tradicional de segurança mudou?

Modelos tradicionais de segurança foram historicamente construídos em torno de um perímetro. Usuários e sistemas dentro da rede corporativa eram considerados mais confiáveis, enquanto as principais barreiras eram posicionadas entre a rede interna e a internet.

Esse cenário se tornou mais complexo com a adoção de serviços em nuvem, aplicações distribuídas, trabalho remoto e dispositivos que acessam recursos corporativos a partir de diferentes locais. O próprio NIST destaca que esses movimentos reduziram a relevância de uma fronteira de rede única e claramente definida.

Na abordagem Zero Trust, portanto, estar conectado à rede não é suficiente para obter acesso. A proteção passa a acompanhar os recursos que precisam ser protegidos, independentemente de onde estejam hospedados ou de onde parta a solicitação.

Quais são os princípios da arquitetura Zero Trust?

O NIST SP 800-207 apresenta princípios que orientam a construção de uma arquitetura Zero Trust. Entre eles, está a premissa de que todos os recursos devem ser protegidos, independentemente de sua localização na rede.

A arquitetura também considera que:

  • Todo acesso aos recursos corporativos deve ser autorizado antes de ser estabelecido;
  • O acesso deve seguir o princípio do menor privilégio, limitando permissões ao necessário;
  • As políticas devem considerar informações sobre o usuário, o dispositivo, o recurso solicitado e outras condições relevantes;
  • Os ativos e recursos devem ser monitorados para melhorar a segurança e a visibilidade;
  • A organização deve coletar informações sobre os ativos, usuários e atividades para apoiar decisões de acesso;
  • A autenticação e a autorização devem ser avaliadas de forma dinâmica, em vez de depender apenas de uma verificação inicial.

Assim, a arquitetura Zero Trust combina políticas, identidade, contexto e avaliação contínua para orientar as decisões de acesso.

Como funciona a arquitetura Zero Trust?

No modelo proposto pelo NIST, as decisões de acesso são centralizadas logicamente em componentes responsáveis por avaliar políticas e aplicá-las aos recursos. Um dos principais componentes é o Policy Engine (PE), responsável por tomar a decisão de conceder, negar ou revogar o acesso com base nas políticas definidas. 

O Policy Administrator (PA) atua na execução dessa decisão, estabelecendo ou encerrando a comunicação com o recurso. Já o Policy Enforcement Point (PEP) aplica a decisão no caminho entre o usuário e o recurso protegido.

Na prática, uma solicitação de acesso pode considerar diferentes informações antes de ser autorizada. Identidade, dispositivo, recurso solicitado, políticas de segurança e contexto da conexão podem participar dessa avaliação.

O resultado é uma arquitetura na qual o acesso não é presumido, mas concedido de acordo com uma decisão de política. Esse modelo permite aplicar controles mais granulares e reduzir a dependência de uma única barreira de rede.

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Quais tecnologias apoiam Zero Trust?

A implementação de Zero Trust pode combinar diferentes tecnologias e controles de cibersegurança. O conjunto utilizado depende da arquitetura, das capacidades existentes e das necessidades de cada organização.

Entre os recursos que podem apoiar essa abordagem estão:

  • Gerenciamento de identidade e acesso (IAM);
  • Autenticação multifator (MFA);
  • Gerenciamento de dispositivos;
  • Gerenciamento de acesso privilegiado (PAM);
  • Segmentação e microssegmentação;
  • Proteção de aplicações;
  • Monitoramento e análise de eventos.

Em ambientes de aplicações nativas de nuvem e multicloud, o NIST SP 800-207A amplia essa discussão ao abordar políticas baseadas também em identidades de aplicações e serviços, além das identidades de usuários e dos parâmetros de rede.

Essa abordagem estende a gestão para além dos usuários, incluindo aplicações, serviços e componentes de software com identidades próprias para autenticação, autorização e comunicação. Essas identidades integram o universo das Non-Human Identities (NHIs). 

Em uma arquitetura Zero Trust, elas também precisam ser consideradas nas decisões de acesso, com controles adequados às suas características, permissões e contexto de uso. Isso ganha especial relevância com a adoção de agentes de inteligência artificial, capazes de acessar dados, aplicações e ferramentas para executar tarefas de forma autônoma. 

Nesse cenário, controles de identidade, autorização, privilégios e rastreabilidade precisam considerar tanto usuários quanto agentes não humanos.

Como implementar uma estratégia Zero Trust?

A adoção de Zero Trust não precisa significar uma substituição imediata de toda a infraestrutura de segurança. O próprio NIST SP 800-207 apresenta uma abordagem que considera a arquitetura existente e a evolução gradual para um modelo baseado em Zero Trust.

Um ponto de partida é identificar quais recursos proteger, quem precisa acessá-los, quais dispositivos e aplicações participam dessas interações e quais políticas determinam o acesso.

A partir desse mapeamento, a organização pode priorizar controles de identidade, autenticação, privilégios, segmentação, proteção de aplicações e monitoramento, considerando riscos e dependências existentes.

Mais do que adotar uma ferramenta específica, implementar Zero Trust envolve alinhar arquitetura, políticas, processos e tecnologias a uma estratégia de proteção baseada em acesso controlado e avaliação contínua.

Zero Trust como estratégia de cibersegurança

Zero Trust amplia a proteção para além do perímetro tradicional ao colocar recursos, identidades e decisões de acesso no centro da arquitetura de segurança. 

Essa abordagem combina políticas, contexto e avaliação contínua para apoiar decisões de acesso mais granulares e alinhadas aos riscos de cada organização.

A Plataforma de Segurança Digital da Valid reúne recursos de cibersegurança para apoiar organizações na implementação de uma estratégia baseada em Zero Trust.

Converse com os especialistas da Valid para entender como fortalecer a postura de cibersegurança da sua organização.

Zero Trust em resumo

O que é Zero Trust?

Zero Trust é uma abordagem que elimina a confiança implícita e exige que cada acesso seja avaliado de acordo com políticas, identidade, contexto e risco.

Qual é o princípio do Zero Trust?

O princípio central é “nunca confiar, sempre verificar”, substituindo a confiança baseada na localização por decisões de acesso controladas.

Zero Trust substitui o perímetro de segurança?

Não necessariamente. A abordagem reduz a dependência do perímetro tradicional e amplia a proteção para usuários, dispositivos, aplicações, dados e outros recursos.

Quais tecnologias apoiam Zero Trust?

IAM, MFA, PAM, gerenciamento de dispositivos, segmentação, proteção de aplicações e monitoramento costumam apoiar sua implementação.

Como implementar Zero Trust?

A implementação começa pelo mapeamento de recursos, identidades, dispositivos e aplicações, seguido pela definição de políticas e priorização dos controles de segurança.

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