Com a digitalização acelerada dos serviços e a popularização instantânea de meios de pagamento em tempo real, como o Pix, os riscos de fraudes de identidade, lavagem de dinheiro e crimes cibernéticos escalaram em ritmo sem precedentes. Para mitigar essas ameaças, as instituições financeiras, fintechs e demais players regulados precisam operar sob rédeas curtas de conformidade.
Nesse contexto, os procedimentos de KYC (Know Your Customer) se tornaram um pilar estratégico de segurança e mitigação de risco. No Brasil, essa exigência é moldada por regulamentações rígidas do Banco Central do Brasil (Bacen).
Compreender esse arcabouço e adotar soluções eficientes de validação de dados são etapas cruciais para que as instituições financeiras protejam suas operações de ponta a ponta.
O conceito tradicional de KYC originou-se com o intuito de verificar se um usuário é realmente quem ele afirma ser durante o processo de abertura de contas ou contratação de serviços.
Inicialmente, o procedimento resumia-se ao envio manual de documentos básicos de identificação e comprovantes de residência. No entanto, a complexidade das fraudes financeiras forçou uma profunda evolução desse modelo.
Hoje, no ecossistema de pagamentos brasileiro, o KYC deve funcionar como um processo contínuo e dinâmico, baseado em uma Abordagem Baseada em Risco (ABR).
Isso significa que, além da validação inicial, as empresas precisam:
O Banco Central do Brasil é um dos reguladores mais proativos do mundo na modernização de normas para o ambiente digital, buscando equilibrar inovação, agilidade e segurança jurídica.
Para as fintechs e bancos que operam no país, quatro frentes regulatórias fundamentam o KYC:
Esta resolução simplificou as regras para a abertura e o encerramento de contas por meios eletrônicos, eliminando a exigência de processos físicos burocráticos.
Contudo, a flexibilidade veio acompanhada de responsabilidades severas: a norma determina explicitamente que as instituições devem assegurar a integridade, a autenticidade e a confidencialidade das informações e dos documentos eletrônicos utilizados, protegendo-os contra acessos e alterações não autorizadas.
Considerada a principal diretriz de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLD/FT) no Brasil.
Ela exige que as instituições implementem políticas internas robustas para qualificar os clientes por perfil de risco, coletem e validem informações de beneficiários finais (especialmente para pessoas jurídicas) e apliquem monitoramento contínuo às Pessoas Expostas Politicamente (PEPs).
O normativo regulatório mais recente visa elevar consideravelmente o patamar de proteção das infraestruturas de dados e mitigar riscos no ambiente financeiro digital.
O prazo final para que as instituições se adequem às suas diretrizes estendeu-se até 1º de março de 2026, exigindo que a arquitetura tecnológica de onboarding e autenticação de identidade seja ainda mais segura e auditável.
Lançado pelo Banco Central, o BC Protege+ é um serviço gratuito que permite a pessoas físicas e empresas bloquearem a abertura de novas contas vinculadas ao seu CPF ou CNPJ.
Para o mercado, isso introduz um novo requisito tecnológico: durante a jornada de onboarding, a plataforma da instituição deve obrigatoriamente realizar uma verificação em tempo real.
Se a proteção estiver ativa, a abertura deve ser pausada, e o cliente precisa ser orientado a desativar temporariamente o recurso via portal do governo para dar andamento ao cadastro.
Com fraudadores utilizando técnicas cada vez mais refinadas, como o uso de identidades sintéticas e deepfakes geradas por inteligência artificial, o tradicional envio de fotos estáticas de documentos tornou-se altamente vulnerável.
A resposta tecnológica exigida pelo mercado para garantir a autenticidade exigida pelo Bacen é o uso de sistemas avançados de verificação biométrica facial. É aqui que ferramentas de detecção de vivacidade, ou Liveness Detection, se tornam cruciais.
💡 Liveness Detection: o que é e como evita ataques de injection?
Essa tecnologia analisa texturas de pele, reflexos oculares e movimentos faciais para garantir que a pessoa diante da câmera é um indivíduo real e presente no momento do cadastro, frustrando ataques de injeção de vídeo ou representações estáticas.
Integrar uma ferramenta de biometria facial de alta acurácia no fluxo de cadastro, além de atender às rigorosas exigências do Banco Central sobre a segurança da transação, também melhora a experiência do usuário, permitindo que a verificação de identidade digital ocorra em poucos segundos e de forma fluida para o usuário legítimo.
O compliance para instituições financeiras brasileiras caminha em uma linha tênue: de um lado, as exigências de KYC impostas pelo Bacen e pela Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/1998) demandam a coleta profunda de dados pessoais.
Do outro, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD - Lei nº 13.709/2018) impõe limites estritos à coleta e armazenamento dessas informações, classificando a biometria facial como um dado pessoal sensível.
Como equilibrar essas obrigações? A resposta está nas bases legais previstas pela própria LGPD. O tratamento de dados para KYC e PLD baseia-se prioritariamente no cumprimento de obrigação legal ou regulatória por parte do controlador, dispensando o consentimento explícito em certas análises antifraude, embora a transparência permaneça obrigatória.
Ainda assim, as instituições devem desenhar suas jornadas com base no princípio de privacy by design, aplicando as premissas de:

O ecossistema brasileiro apresenta particularidades difíceis de transpor para quem não opera localmente. Os principais desafios de verificação no Brasil incluem:
Contar com uma plataforma de identidade desenvolvida especificamente para o cenário brasileiro traz a inteligência de dados necessária para interpretar a diversidade documental de forma automatizada, mantendo os custos de análise manual sob controle e otimizando a experiência do usuário.
Buscar conformidade com as regras do Bacen, garantir conformidade com a LGPD e mitigar prejuízos com fraudes sem prejudicar a jornada de cadastro dos clientes é um desafio complexo.
O acúmulo de fornecedores fragmentados (um para biometria, outro para OCR de documentos, um terceiro para assinaturas, e por aí vai) gera silos de informação, aumenta a fricção e eleva os riscos de vulnerabilidades.
Para resolver essa dor de mercado, a Valid desenvolveu a Plataforma de Segurança Digital, uma arquitetura modular integrada de ponta a ponta que unifica todas as etapas do ciclo de vida da identidade digital.
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