O mercado de segurança digital enfrenta um dilema histórico. De um lado, as empresas precisam de processos de validação de identidade cada vez mais profundos para proteger suas operações contra fraudes sofisticadas.
Do outro, a conformidade com leis de privacidade, como a LGPD, exige a chamada minimização de dados: a diretriz de que as organizações só devem coletar e armazenar o estritamente necessário para a prestação do serviço.
O conceito de Zero Knowledge Proofs (Provas de Conhecimento Zero) diz sobre um método criptográfico que permite a uma parte (o usuário) provar a outra parte (a empresa) que uma afirmação é verdadeira, sem revelar qualquer informação além da veracidade da própria afirmação.
Imagine que uma pessoa quer alugar um veículo em uma empresa de locação de carros. Para liberar o veículo, a empresa precisa ter a garantia de que o condutor possui uma CNH válida e tem mais de 25 anos (por questões de apólice de seguro).
Nos modelos tradicionais de onboarding, o usuário tem que fazer o upload ou entregar o documento (CIN, RG ou CNH, por exemplo) no balcão, o que acaba criando um efeito colateral complexo: o acúmulo desnecessário de dados sensíveis.
Juntamente com a confirmação de que o cliente é quem diz ser, o negócio herda um estoque de informações desnecessárias para aquela operação (como endereço residencial, filiação, números de registro etc) que acabam se transformando em um passivo financeiro, jurídico e de segurança em caso de vazamento.
Felizmente, a evolução das Infraestruturas Públicas Digitais (DPI) e o amadurecimento de novas tecnologias trazem uma resposta definitiva a esse cenário: o conceito de provar um atributo sem precisar expor ou armazenar o dado bruto. É aqui que entram as Zero Knowledge Proofs (ZKP) e o Selective Disclosure.
Neste modelo, o usuário, através de sua carteira digital, compartilha apenas a prova criptográfica gerada a partir do seu documento oficial. O sistema da locadora recebe uma confirmação binária (por exemplo: o usuário tem mais de 25 anos e possui habilitação na categoria B). O número do documento, a data exata de nascimento e a foto da CNH nunca transitam e nunca são armazenados pela empresa.
Mais do que uma ferramenta de conformidade com a LGPD, a arquitetura baseada em credenciais verificáveis e ZKPs abre caminhos promissores para mitigar algumas das modalidades de fraude mais complexas e onerosas do mercado atual.
Ao mudar o foco da validação (que deixa de ser a checagem de dados estáticos em birôs terceiros e passa a ser a verificação de assinaturas criptográficas de fontes confiáveis), o mercado ganha novas frentes de defesa contra:
Na fraude de identidade sintética, criminosos combinam dados reais vazados (como o CPF legítimo de um cidadão) com informações falsas ou biometrias geradas por inteligência artificial para criar um perfil "limpo" nos motores de busca tradicionais.
O uso de contas abertas por terceiros (seja por aliciamento ou de forma deliberada) para lavagem de dinheiro ou movimentação de Pix de golpes é um dos maiores desafios de conformidade no setor financeiro.
O roubo de identidade clássico, em que o criminoso tenta se passar pela vítima utilizando cópias de documentos físicos adulterados ou tentativas de deepfakes em fluxos de selfie, esbarra na própria natureza das assinaturas digitais.
💡 Fraudes de identidade com IA: como proteger sua empresa contra deepfakes
A transição para um modelo de identidade digital moderna, que faça uso de ZKPs e garanta a gestão do consentimento eficiente, não acontece do dia para a noite.
Para que uma prova de conhecimento zero funcione com segurança, o ecossistema depende de uma âncora de confiança na origem. Ou seja, antes que o usuário possa provar atributos de forma seletiva, é preciso garantir que a primeira emissão da credencial digital ou o primeiro vínculo biográfico e biométrico tenham sido realizados sob os mais rigorosos padrões de segurança.
É exatamente nessa orquestração que a Plataforma de Segurança Digital da Valid atua como uma parceira estratégica. Unindo a liderança histórica na emissão de documentos oficiais (como a CIN) à expertise em motores de validação biométrica de alta precisão, a Valid oferece a infraestrutura tecnológica necessária para que a sua empresa possa explorar essas novas tendências.
Se o seu desafio atual envolve reduzir a fricção no onboarding de clientes, eliminar o armazenamento desnecessário de riscos ou construir defesas mais robustas contra fraudes de identidade complexas, existem caminhos customizados para a sua operação.

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