
À medida que governos expandem a oferta de serviços digitais, sistemas, dados e identidades passam a fazer parte de jornadas cada vez mais conectadas.
No Brasil, essa transformação já alcança cerca de 170 milhões de contas ativas no Gov.br e mais de 4,7 mil serviços digitais, segundo levantamento do TCU.
Essa expansão, contudo, tem ampliado os desafios de segurança. Entre janeiro e setembro de 2025, o CTIR Gov identificou 855 páginas falsas e 572 ocorrências de phishing associadas a golpes que utilizavam a identidade de órgãos públicos.
O desafio também se manifesta internacionalmente. O Global Cybersecurity Outlook 2026 aponta que 23% das organizações do setor público pesquisadas declararam possuir capacidades insuficientes de ciber-resiliência.
Ao mesmo tempo, o Global Cybersecurity Outlook 2025 destaca o Brasil como um país que vem avançando em maturidade de cibersegurança. O relatório cita a atuação do CNCiber e o desenvolvimento da E-Ciber, com foco em resiliência de serviços essenciais, colaboração entre setores e fortalecimento da educação em cibersegurança.
A cibersegurança vem se tornando, desse modo, parte da própria estrutura dos serviços públicos digitais, contribuindo para a proteção de dados, a continuidade dos serviços e a confiança dos cidadãos.
A digitalização permite oferecer serviços públicos de forma mais ágil, acessível e integrada. Ao mesmo tempo, aumenta a dependência de sistemas, aplicações, infraestruturas, dados e identidades digitais.
Nesse cenário, proteger apenas um sistema ou aplicação de forma isolada não é suficiente.
Uma exposição pode surgir em diferentes pontos do ambiente, desde uma configuração inadequada até uma vulnerabilidade em uma aplicação, um acesso indevido ou um fornecedor conectado à operação.
A própria Estratégia Nacional de Governo Digital estabelece a privacidade, a proteção de dados pessoais e a segurança da informação como elementos fundamentais para ampliar a resiliência das estruturas tecnológicas governamentais.
A cibersegurança, portanto, não deve ser tratada apenas como uma camada técnica. Ela também contribui para a continuidade dos serviços, a proteção dos cidadãos e a confiança na transformação digital.
A ampliação dos serviços digitais pode criar diferentes pontos de exposição. Entre os principais riscos estão:
Esse cenário torna cada vez mais importante compreender não apenas quais controles existem, mas também onde estão as exposições e quais riscos exigem maior atenção.
A proteção do Governo Digital exige uma abordagem contínua, capaz de acompanhar a evolução dos ambientes tecnológicos e dos riscos. Diferentes recursos devem atuar de forma integrada, da identificação e priorização de riscos ao monitoramento, proteção de identidades, gestão de terceiros e resposta a incidentes.
Uma estratégia de cibersegurança começa pela visibilidade sobre ativos, aplicações, serviços, identidades e recursos. A priorização deve considerar criticidade, exposição, possibilidade de exploração e impacto potencial, direcionando recursos aos riscos mais relevantes.
Como novos sistemas, aplicações, dispositivos e serviços alteram continuamente a superfície de ataque, é fundamental acompanhar os ativos expostos. O Pentest complementa essa avaliação ao simular tentativas de exploração e verificar a efetividade dos controles.
Mudanças em recursos, permissões e aplicações podem criar novas exposições. O monitoramento contínuo permite acompanhar essas alterações e a evolução do perfil de risco, inclusive em ambientes de nuvem.
Autenticação multifator (MFA) e gerenciamento de acessos ajudam a reduzir riscos relacionados ao comprometimento de credenciais. A gestão de privilégios é especialmente importante para identidades com níveis elevados de acesso.
Fornecedores, parceiros e prestadores podem ampliar a superfície de exposição. A gestão contínua de riscos de terceiros permite acompanhar mudanças e ampliar a visibilidade sobre os riscos ao longo do relacionamento.
A integração dessas capacidades proporciona uma visão mais contextualizada do ambiente e ajuda a direcionar recursos aos riscos prioritários. Automação e inteligência artificial podem apoiar a análise de informações, identificação de padrões e priorização.
A transformação digital dos serviços públicos exige mais do que disponibilizar serviços online. É necessário proteger sistemas, dados e identidades e garantir que os cidadãos utilizem esses serviços com segurança e confiança.
Experiências internacionais mostram como identidade digital, segurança desde o desenvolvimento e gestão contínua de riscos contribuem para serviços públicos mais seguros e centrados no cidadão.
O Aadhaar é uma das principais referências internacionais em identidade digital. O sistema criou uma identificação única para a população indiana e passou a apoiar o acesso a diferentes serviços.
A escala do sistema é expressiva: em 2024-25, foram realizadas mais de 27 bilhões de autenticações Aadhaar, com diferentes mecanismos, incluindo biometria e OTP.
A experiência demonstra como uma identidade digital robusta pode sustentar identificação e autenticação em larga escala.

A Austrália utiliza o Essential Eight, conjunto de oito estratégias de mitigação que inclui atualização de sistemas, MFA, restrição de privilégios, controle de aplicações e backups.
O modelo também estabelece níveis de maturidade para orientar sua implementação conforme o risco, reforçando a cibersegurança como uma prática contínua e integrada à gestão dos ambientes digitais.
Em Barcelona, o Plano Barcelona Digital City incorporou privacidade, ética e segurança by design aos padrões de digitalização da administração pública, junto a princípios como desenvolvimento ágil e interoperabilidade.
A abordagem busca considerar segurança e privacidade desde a criação das soluções, reduzindo a dependência de medidas aplicadas apenas após a entrada dos serviços em operação.
Líder entre os países com maior nível de digitalização governamental, a Dinamarca também apresenta elevados níveis de confiança em seus serviços públicos digitais.
Em 2025, 84% da população entre 15 e 89 anos declarou confiar nesses serviços.
O caso da Dinamarca mostra que, à medida que os serviços públicos se digitalizam, segurança e confiança tornam-se elementos fundamentais da experiência dos cidadãos e da relação com o Estado.
A cibersegurança precisa acompanhar a evolução dos serviços públicos digitais, combinando visibilidade, prevenção, monitoramento e capacidade de resposta para proteger sistemas, dados e identidades.
A Plataforma de Segurança Digital da Valid reúne diferentes soluções modulares de cibersegurança que podem ser combinadas conforme as necessidades de cada organização. Essa arquitetura integrada amplia a visibilidade sobre exposições, fortalece os controles de segurança e permite direcionar esforços conforme os riscos e as necessidades de cada organização.
Fale com os especialistas da Valid para entender como fortalecer a cibersegurança do Governo Digital do seu Estado ou município.
O que é cibersegurança no Governo Digital?
É o conjunto de práticas, processos e tecnologias para proteger sistemas, dados, identidades e serviços digitais do setor público, contribuindo para sua continuidade e resiliência.
Quais são os principais riscos no Governo Digital?
Entre eles estão interrupções de serviços, exposição de dados, fraudes, comprometimento de identidades, vulnerabilidades técnicas e riscos relacionados a terceiros.
Por que o monitoramento contínuo é importante?
Porque os ambientes digitais mudam constantemente. O acompanhamento permite identificar alterações, novas exposições e mudanças no perfil de risco.
Como proteger os serviços públicos digitais?
A proteção envolve visibilidade, priorização de riscos, proteção da superfície de ataque, segurança de identidades, gestão de terceiros, monitoramento e capacidade de resposta.
Qual é o papel da cibersegurança na transformação digital?
Além de proteger sistemas e dados, contribui para a continuidade dos serviços, a resiliência operacional e uma experiência digital mais segura e confiável para os cidadãos.
