
A digitalização de processos ampliou a necessidade de comprovar informações de forma segura, principalmente em situações que envolvem identidade, qualificações, documentos e atributos pessoais.
Nesse cenário, as credenciais digitais verificáveis permitem representar informações de maneira criptograficamente protegida e verificável por sistemas, criando novas possibilidades para a troca de dados entre pessoas, organizações e serviços.
Essa tecnologia também pode gerar benefícios econômicos. Uma iniciativa da Comissão Europeia estimou até €335,9 milhões em benefícios com atestados digitais interoperáveis, principalmente pela redução dos custos de verificação.
O 2025 State of Credentialing Report aponta ainda ganhos de eficiência operacional: 75% dos líderes de RH e talentos consideram mais fácil verificar e avaliar as competências de candidatos quando eles apresentam credenciais digitais.
Em 2025, o World Wide Web Consortium (W3C) publicou a versão 2.0 do seu modelo de dados para Verifiable Credentials. O padrão define uma estrutura para credenciais verificáveis e um ecossistema formado por emissores, titulares e verificadores.
Mas como essa tecnologia funciona na prática? E o que é necessário para implementá-la na sua organização?
Uma credencial digital verificável é uma representação digital de informações ou declarações feitas por uma entidade emissora, estruturada de forma que sua autenticidade e integridade possam ser verificadas criptograficamente.
Uma credencial pode representar diferentes tipos de informação, como uma qualificação profissional, uma identidade, uma licença ou outro atributo que precise ser comprovado.
O modelo do W3C utiliza a sintaxe JSON-LD para expressar essas informações de maneira legível por máquinas e padronizada internacionalmente. Além disso, a identificação das partes é estruturada através de DIDs (Identificadores Descentralizados), que permitem representar as partes envolvidas e apoiar a verificação das credenciais.
Isso diferencia uma credencial verificável de uma credencial digital comum. Seu caráter verificável está associado à existência de mecanismos criptográficos que permitem validar sua autenticidade, integridade e informações.
O funcionamento dessa tecnologia baseia-se no modelo conceitual do Triângulo da Confiança, que define os principais participantes desse ecossistema.
A verificação pode utilizar provas criptográficas para confirmar a autenticidade e a integridade dos dados, além da validade da credencial. Quando os formatos e mecanismos utilizados permitem, o titular pode recorrer à divulgação seletiva, frequentemente sustentada por ZKP (Zero-Knowledge Proofs).
Essa técnica possibilita provar matematicamente que uma afirmação é verdadeira sem revelar a informação subjacente. Permite comprovar, por exemplo, que uma pessoa tem mais de 18 anos sem expor sua data de nascimento exata. Isso pode contribuir para o princípio de minimização de dados previsto na LGPD.
Quando implementadas de acordo com o caso de uso e com mecanismos adequados de segurança, as credenciais digitais verificáveis podem oferecer benefícios como:
A implementação, porém, exige atenção a aspectos técnicos e organizacionais:
Por isso, a adoção deve partir do caso de uso e evoluir de forma estruturada, considerando tecnologia, segurança, privacidade e requisitos regulatórios.
A implementação exige mais do que criar uma credencial digital. É necessário definir modelos de dados, mecanismos de emissão e apresentação, gestão de chaves, políticas de confiança e integração com os sistemas existentes.
O primeiro passo é determinar qual processo será transformado. Identidade digital, comprovação de qualificações, onboarding, acesso a serviços e compartilhamento de atributos são exemplos possíveis.
Também é importante estabelecer quais informações precisam ser emitidas, quem tem autoridade para atestá-las e quem precisará verificá-las.
É necessário estabelecer as relações entre emissores, titulares e verificadores, incluindo como cada parte será identificada e quais emissores serão considerados confiáveis.
O W3C deixa claro que o modelo de dados não determina, por si só, quais emissores devem ser considerados confiáveis. Essa definição depende do ecossistema e das regras estabelecidas para cada caso de uso.
A implementação deve considerar padrões que permitam que diferentes componentes do ecossistema se comuniquem. Entre os principais, estão:
A organização precisa definir como as credenciais serão emitidas, para onde serão encaminhadas e como o titular poderá armazená-las e utilizá-las.
Nesse ponto, entram componentes como carteiras digitais, APIs de emissão, gerenciamento de chaves e mecanismos de proteção das credenciais. O desenho deve considerar também recuperação, atualização e eventual revogação ou alteração do status de uma credencial.
O processo de verificação precisa validar não apenas os dados apresentados, mas também as provas criptográficas e as condições necessárias para aceitar aquela credencial.
A implementação deve definir quais informações serão solicitadas, quais credenciais serão aceitas e como serão verificadas. O OpenID for Verifiable Presentations 1.0, por exemplo, fornece mecanismos para solicitar e entregar apresentações de credenciais utilizando o OAuth 2.0 como protocolo de base.
Para gerar valor, a credencial verificável precisa estar conectada aos sistemas que já participam do processo de identidade ou validação.
Isso pode envolver integração com cadastros, plataformas de identidade, APIs, sistemas de autenticação, aplicações e fluxos de onboarding. O objetivo é integrar a nova tecnologia aos processos já existentes da jornada digital, evitando a criação de etapas adicionais e desconectadas da experiência do usuário.

As credenciais digitais verificáveis ampliam as possibilidades da identidade digital, permitindo apresentar e verificar informações atestadas em diferentes contextos.
Em vez de depender de documentos ou novas verificações a cada interação, organizações podem estruturar jornadas com atributos digitais verificáveis, de forma segura e contextual.
Para empresas que buscam fortalecer suas jornadas de identidade, combinar validação, autenticação, proteção de dados e tecnologias de credenciais pode ampliar a segurança e a eficiência.
A Plataforma de Segurança Digital da Valid reúne capacidades que podem apoiar diferentes etapas dessas jornadas, com soluções modulares para validação de identidade, autenticação e proteção de dados.
Converse com os especialistas da Valid para entender como integrar essas capacidades às necessidades da sua organização.
O que é uma credencial digital verificável e qual é a diferença em relação a uma credencial digital comum?
É uma representação digital de informações ou atributos que utiliza padrões e mecanismos criptográficos para permitir a verificação de sua autenticidade e integridade. Diferentemente de uma credencial digital comum, ela permite validar a origem e os dados apresentados de forma estruturada e verificável por sistemas.
Como funciona uma credencial digital verificável?
O emissor cria e assina a credencial, o titular a armazena e o verificador valida as informações apresentadas por meio de mecanismos criptográficos.
O que é divulgação seletiva?
É um mecanismo criptográfico habilitado por tecnologias como ZKP, que permite ao titular compartilhar apenas os atributos estritamente necessários para uma verificação. Isso atende diretamente aos requisitos de minimização de dados da LGPD.
Como implementar credenciais digitais verificáveis?
É necessário definir o caso de uso e o modelo de confiança, escolher padrões interoperáveis, estruturar emissão e armazenamento e integrar a tecnologia aos processos existentes.
Onde as credenciais digitais verificáveis podem ser utilizadas?
Podem ser aplicadas em contextos como serviços financeiros, educação, saúde, governo e identificação profissional, entre outros processos que exigem comprovação de informações.


